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Produção de mel portuguesa em 2016 cai 70%

A produção de mel portuguesa, em 2016, fica abaixo da do ano passado.

Os vários tipos de mel – rosmaninho, laranjeira, eucalipto, girassol, urze, rosas, etc. – variam em função das características e localização geográfica das plantas de onde é extraído o néctar e dos tipos das abelhas produtoras.

“Vamos ter perdas na ordem dos 70%, não só aqui [no Minho], como em toda a Península Ibérica”, afirma sem sombra de dúvida Alberto Dias, presidente da APIMIL – Associação Apícola do Minho.

O nosso preço de produção, este ano, foi altíssimo”, mas os produtores vão ter de “aguentar a maioria dos custos” e, mesmo assim, o presidente da APIMIL prevê que “vamos perder clientes”, face à concorrência de países como a China ou o Vietname.

Os apicultores vão aproveitar a ocasião da Feira Nacional do Mel para se dirigirem à União Europeia, já que “o consumidor não está alerta para o problema da rotulagem”.

Actualmente, os rótulos permitem que o produto seja visto como europeu desde que, na sua composição, conte com 1% de mel destes países, explica Alberto Dias, contactado pelo Agricultura e Mar.

As causas desta quebra significativa são diversas, mas Alberto Dias destaca “o clima”, com fortes chuvadas na Primavera e temperaturas afectadas pelas “alterações climáticas, para as quais a agricultura ainda não está preparada”, e a destruição progressiva das florestas portuguesas, com a plantação em larga escala de eucaliptos.

Estes factores prejudicaram a floração das espécies de plantas de que as abelhas necessitam.

A vespa velutina não entra nestas contas, frisa ainda Alberto Dias, já que “este ano, ainda não as vimos”. As consequências das chuvas “fora de tempo” na floração de plantas e árvores de fruto já tinham sido assinaladas por outros produtores.

Segundo a FNAP – Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, a produção de mel em Portugal abrange milhares de produtores, representando uma fatia importante na economia nacional e, principalmente, regional.

No total, a produção média anual ronda as onze mil toneladas, com uma facturação de cerca de 25 milhões de euros, de acordo com dados de 2003.

Nesse ano foram contabilizados 28 mil apicultores, dos quais 1.800 são profissionais.

No país existem doze denominações de origem geográfica de mel reconhecidas, onde este é obtido de acordo com as regras de produção, extracção, embalagem e conservação do produto.

As regiões produtoras são a Serra da Lousã,o Parque de Montesinho, a Serra d’Aire, Albufeira de Castelo do Bode, Ribatejo Norte – Bairro e Alto Nabão – Terras altas do Minho, Terra Quente, Serra de Monchique, Barroso, Alentejo e Açores.

Fonte : http://www.agriportugal.com/?p=8938

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